Oficina ensina a investigar gastos públicos

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Oficina ensina a investigar gastos públicos

Profissionais de imprensa junto com alunos e profe

Foto: Divulgação

“Investigação dos gastos públicos” foi o tema de uma oficina realizada durante a manhã de ontem, na Universidade Federal de Roraima (UFRR) pelo economista Gil Castello Branco, diretor do portal Contas Abertas.
 Entre os 35 participantes, estavam jornalistas, estudantes e professores. A ideia do evento foi discutir com os profissionais de comunicação a importância do monitoramento dos gastos públicos no processo de controle social.

Na oficina, o economista ensinou como pesquisar e transformar em pautas os números obtidos em sites governamentais. Ele chamou a atenção dos participantes para as possibilidades de mobilizar informações sobre os gastos públicos para qualificar a cobertura jornalística.

“O principal inimigo da corrupção é a transparência, é o acesso à informação. Por mais que existam órgãos fiscalizadores, ainda assim é importante que a sociedade também faça esse controle. Todos nós, em especial a imprensa, tem um papel preponderante nessa tarefa. Devemos nos interessar pelas contas públicas”, disse ao destacar que hoje, devido à Lei Complementar 131, diversos portais disponibilizam informações sobre os gastos públicos. Essa lei trata da obrigação da União, estados e municípios publicarem as suas contas na internet.
A previsão é que até 2013 todas as cidades terão portais na rede mundial de computadores. O economista utilizou o site Portal da Transparência, do Governo Federal, para mostrar aos participantes como efetuar as pesquisas. Maria Goretti, coordenadora do curso de Comunicação Social da UFRR, afirmou que conhecer e saber utilizar essas ferramentas são de grande valia para os jornalistas.
“Essa abordagem é muito importante para o jornalismo investigativo. Para incentivarmos os alunos a fazerem essa pesquisa, principalmente em Roraima, que é conhecido como Estado de muita corrupção. Então é necessário a gente averiguar as contas de todo mundo, inclusive de nós professores universitários. Todos nós precisamos ter transparência em tudo que fazemos com relação às questões públicas”, disse.

Ela afirmou que vai incentivar os seus alunos a utilizarem os portais que divulgam os gastos públicos. “É preciso que nós [jornalistas] fiquemos atentos para fiscalizarmos as obras tanto do Estado como do município, além das questões eleitoreiras. Nosso papel é denunciar essas irregularidades”,
complementou.O jornalista e professor universitário Roni Peterson disse que já fez pesquisa em sites de Transparência tanto nacional como local. “Já havia analisado o suposto site de Transparência de Roraima e do Município. Aqui o site é muito limitado, mais parece uma planilha do Excel. Isso serve de estímulo para que possamos cobrar melhor transparência dos órgãos do Estado e do Município sobre os gastos públicos”, disse. Mesmo estando ainda na academia, o estudante do segundo semestre de jornalismo Mário Leite disse que quis participar da oficina para aprender a utilizar as ferramentas de pesquisas em portais de órgãos públicos.
“O jornalista deve estar bem informado, pois é um mediador entre esses órgãos e a sociedade. É importante termos conhecimentos de ferramentas desse tipo para informarmos para a população”, frisou.

A oficina foi promovida pelo Ministério Público de Contas de Roraima (MPC) em parceria com a Universidade Federal de Roraima (UFRR) e a Faculdade Cathedral.Leis de acesso à informação são temas de debate durante eventoDando continuidade ao debate sobre “A sociedade no acompanhamento da gestão pública”, na tarde de ontem, a partir das 15h, na Faculdade Cathedral, o público pôde contar com discussões referentes à Lei de Acesso à Informação, a Lei Complementar 131 e o Consocial (Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social).

Entre os quase 200 participantes estavam diversas autoridades do Estado, estudante e público em geral.As discussões abordaram sobre três fatos relevantes no processo de transparência e controle social. O primeiro tema abordado foi a Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor no dia 16 de maio, e busca garantir ao cidadão acesso às informações sob a guarda de órgãos e entidades públicas.Como a lei ainda é recente, órgãos públicos disseram que ainda estão se adequando. O Estado deu prazo de até no máximo 90 dias, já o município informou que precisará de um prazo maior.

O segundo tema a ser abordado foi a Lei Complementar 131, que trata da obrigação da União, estados e municípios publicarem as suas contas na internet. Até 2013, todas as cidades terão portais na rede mundial de computadores. Outro assunto abordado foi sobre o Consocial (Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social), realizada pela Controladoria-Geral da União, que tem por objetivo promover a transparência e estimular a participação da sociedade no acompanhamento e controle da gestão pública.O portal Contas Abertas, em pesquisa realizada em 2010, apontou Roraima como o segundo Estado menos transparente do Brasil, com uma nota de 3,31, atrás apenas para o Piauí (3,04). Segundo o diretor do site, Gil Castello Branco, o levantamento analisou os portais de transparência do país, nos quesitos conteúdo, frequência de atualização, usabilidade, dentre outros.

“A população deve participar. É uma oportunidade que vai ter de entender como funciona esse sistema de controle e, acima de tudo, como ela pode cobrar essa transparência do poder público”, disse o procurador do Ministério Público de Contas, Paulo Sérgio.

Fonte: Folha de Boa Vista
Reportagem de Ozieli Ferreira